segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sem Censura - Psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva

Assitam o vídeo no youtube da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva sobre o Transtorno de Borderline.



https://www.youtube.com/watch?v=Wrmb5zteFAI&list=WL&index=16

Dificil encarar o diagnóstico e o preconceito de um border

Minha filha foi diagnosticada com TPB. e como as siglas já dizem - TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE - então não é físico, é de personalidade, é totalmente emocional, e já venho há um bom tempo detectando alguns sintomas estranhos nela, não foi do nada, ela já demonstra os sintomas desde pequena, eu sempre notei algo estranho, ficava avaliando suas crises, seu comportamento e não comentava com ninguém porque iriam me chamar de louca, mas fui juntando as peças e como não sou mulher de correr do pau cavei fundo até descobrir que ela é TPB. dificil encara, é, com certeza, mas mais dificil ainda é ouvir das pessoas que não entendem nada do assunto que é falta de surra, falta de porrete, que a mãe não soube educar, e outras atrocidades mais. Resolvi escrever porque muitas mães passam por isso, e morrem de vergonha de falar sobre o assunto ou sequer assumir que suas filhas são border. Mas quando eu assumi isso pra mim mesmo foi como tirar um peso das minhas costas, encarando o fato de vez a primeira coisa com que tive de lidar foi. E agora? como eu lido com isso? essa pergunta não tem resposta. A única coisa que pode ajudar um border é terapia, nem remédio ajuda tanto pois não é um problema físico. Minha filha se corta, há muito tempo, não sabe lidar com frustrações nem perdas, toda vez que brigamos muito ela não sabe lidar com isso e vai se cortar por não suportar a frustração ou a rejeição que  é o maior problema do border. Ficamos sempre entre brigar, discutir, não brigar, largar pra lá, exigir, e a infeliz dor de saber que no futuro voce não poderá fazer nada por ela, e o que será dela no futuro, como serão as coisas, e se eu morrer, quem terá paciência, quem irá compreender, como ela irá encarar o mundo, ela via sofrer? são tantas perguntas, impotência é a palavra chave. ela é um furacão descontrolado.  Viver com uma border é pisar em campo minado 24 hs por dia, é um sofrimento terrível, uma dor inexplicável, voce é machucado o tempo todo e ela se machuca o tempo todo. Ela vai se cortar e voce não pode fazer nada, e de repente voce já aprendeu a sacar quando ela se corta, é só começar a usar calça comprida e roupa de manga comprida o tempo todo, ela promete que vai parar de se cortar, mas não consegue cumprir por muito tempo.  Eu sempre me vejo sozinha nessa luta, o preconceito é muito grande e isso piora muito as coisas, tanto pra ela quanto pra mim que não compartilho com ninguém e não tenho nem como pedir conselhos porque ninguém vai entender, realmente eles não entendem.  A adolescência faz os sintomas duplicarem, triplicarem, uma loucura, mas ela apresenta esses sintomas desde novinha, parece loucura eu falar isso, mas eu tenho toda certeza que sempre foi assim. Ela foi rejeitada pelo pai e passei por muitos momentos dificeis durante a gestação e nos primeiros 10 anos da vida dela, foi tudo uma loucura, o que intensificou esse problema, mas eu sei que a culpa não é minha apesar deu me sentir sempre culpada e tentar protege-la do mundo.
Todos os dias eu tenho a dúvida se consigo mudar essa situação ou não. Tudo com ela é muito difícil, dar uma ordem, dizer um não, cortar algo, faze-la cumprir as regras, tudo é uma luta que dispende muita energia, energia que me esvazia muitas vezes. Aí de vez em quando eu penso, não seria melhor largar pra lá? não pedir nada, não exigir nada, mas aí lá venho novamente pensando, Nâo posso fazer isso, tenho que ensinar a ela como tem que viver, porque aqui ela tá protegida, mas na rua não, aí começam as brigas novamente para tudo, 
Ela não se apega a nada, não se motiva com nada, então estou procurando o tempo todo algo que a envolva, ela é muito inteligente, qi acima da normalidade pra idade dela, mas é dispersa e enjoa de tudo com muita facilidade. As vezes me pego sofrendo a pensar oq ue será dela no futuro quando eu me for, então vou prepara-la o mais que eu puder.
EStou tentando me preservar ao máximo porque não tem muita coisa que eu possa fazer, tento não julgá-la, não condená-la, não rotular, procuro aceitar do jeito que ela é, mas isso é muito difícil não tenha dúvida. 
Estarei relatando sempre que puder as dificeis batalhas diárias de se viver com uma border, o preconceito do diagnóstico, inclusive da família porque eles negam até hoje, falam que eu que sou doida, que isso é um exagero, e quero dividir com as mães, e todos que convivem com um border. Estarei postando links para ajudar a esclarecer sobre o transtorno.